Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente, como se o meu ser participasse de todos os homens, incompletamente de cada [?], por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço.Sê plural como o universo! Fernando Pessoa.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Plantei em solo fértil, reguei com a mais pura água. A arvore cresceu floresceu, era a mais bela de toda a primavera. A admirava com paixão por todos os dias. Mas eis que chega o outono, as flores se foram ,as folhas murcharam, perderam a cor, caíram e o vento as levou. Senti-me impotente, corri desesperadamente atrás das folhas, mas o vento as levou alto e distante demais. Perdi a esperança, meu coração se encheu de dor e saudade. Mergulhada numa tristeza profunda, abandonei minha arvore, já não fui mais ao jardim, tudo para mim era outono, seco, marrom e sem vida como aquelas folhas que partiram. 
Um dia a brisa abriu a janela, meus olhos não puderam crer, era ela, a minha arvore, florida outra vez, mais bela que em minhas lembranças. O sorriso voltou a minha face. Todo a dedicação a arvore não tinha sido em vão, era apenas uma fase, faltou-me compreensão e paciência e por isso sofri tanto. Mas ela teve a sabedoria que eu não tive,aguardou-me e por mais que sentisse minha falta não deixou de crescer e passar por todas as fases que deveria passar.

domingo, 12 de junho de 2011


 Levaste tudo, as cores, os cheiros, os sabores, os sorrisos, os desejos...
Porque não levaste nos bolsos todas as tuas lembranças? Não as quero. Não quero lembrar-te.
Devolva-me o que é meu.
Não quero nada teu. Se nao vier imediatamente acompanhado de ti.

terça-feira, 7 de junho de 2011

prece

Que a alegria ao ver-te limite-se a um sorriso comedido e sutil.
Que os cumprimentos já não passem de apertos de mão, rápidos, para que não notes  a frieza e o transpirar excessivo de minhas mãos.
E quando os olhares se cruzarem que corram rapidamente em direções opostas, antes que possa ler os pensamentos refletidos em minhas pupilas.
Que meu coração não acelere tanto ao ponto de ruborizar meu rosto em tua presença.
Que teu aroma doce não me roube suspiros, e se vier a roubar que eu saiba conte-los e suspira-los distante de ti.
Que me brotem forças para não desejar teus lábios que outrora beijei com fervor.
E quando surgires repentinamente, que eu saiba disfarçar meus olhos inundados de emoção.

Que esse amar flua em meu corpo, saia pelos poros e evapore no ar, juntamente com as lembranças que já não posso guardar do amor que nunca pude ter.

domingo, 5 de junho de 2011

Olhos
 Entreolhando-se
Olhos brilhantes,
que refletem lembranças doces
Olhos sorridentes
 Cumplices de algo que jamais poderão contar...
Olhos que falam
O que a boca não deve falar
o que ninguem pode escutar...

domingo, 22 de maio de 2011

Dor invisivel, sem feridas aparentes, sem remedio que curasse.
Dor saudade.
Seria um Adeus?
Perdeu-se em seus pensamentos enquanto o barco sumia no horizonte.
A nau inflou as velas.Partiu.
No porto esta ela.
E em sua face lagrimas tão salgadas quanto o mar.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Queria que fosse mais
Mais que desejo latente e corporal.
Mais que pele, saliva, suspiros e suor.

Queria que fosse amor.
Amor de arritmia cardíaca.
Sorriso involuntário
E sonhos infinitos.

terça-feira, 3 de maio de 2011

desAMAR

Só se desama quando se ama outra vez, quando  o amor te direciona a um outro alguém
quando os pensamentos, os suspiros e os frios na barriga te remetem a um outro ser.
 Esse alguém  anterior que outrora parecia eterno, perfeito e insubstituivel, já não faz mais tanto sentido.
 Se desama e se ama sem perceber, não existe o momento exato de transição um pelo outro
ocorre tudo simultâneamente e quando se vê já se ama outra vez, sem nunca ter se quer um dia deixado de amar.
O outro habitante chega, abre as janelas do coração, acende as luzes e a lareira.  Os dias brilham, a brisa é diferente e o peito novamente se aquece. E por fim as lágrimas transformam-se em riso e a desilusão em fôlego e esperança de recomeçar.